Escultora botânica · Porcelana fria

Svetlana Zamushinskaya

Normalmente, a história de uma artista fala de estudos, diplomas e conquistas. Tenho dois diplomas de engenharia com distinção e trabalhei muitos anos como engenheira-projetista principal. Mas as flores entraram na minha vida por uma razão bem diferente.

Tornaram-se um lugar onde podia ficar a sós comigo e esquecer por um momento a azáfama do dia a dia. Aos poucos, esta paixão tornou-se algo muito maior. As flores ensinaram-me a olhar o mundo com mais atenção, a notar a beleza nos detalhes, a ver a harmonia das linhas e das formas.

Hoje, as flores não são para mim uma profissão nem uma lista de conquistas. São uma parte da minha alma — uma forma de existir neste mundo, de o compreender e sentir.

Svetlana Zamushinskaya

Não procuro repetir a natureza.Procuro preservar o encanto que ela desperta.

Uso porcelana fria porque é um material plástico que permite criar pétalas finíssimas, linhas fluidas, curvas complexas e unir muitos detalhes numa só forma.

Para mim não contam apenas as flores, mas também o espaço em que vivem. O silêncio, a luz, o ar em redor. O espaço torna-se o prolongamento da obra e ajuda a vê-la de verdade.

Cada flor nasce devagar — pela observação, pela reflexão e pelo estudo atento de uma beleza que nos rodeia todos os dias e tantas vezes passa despercebida.

A beleza de uma flor viva fascina-me, mas no meu trabalho permito-me ir além da exatidão natural. Posso mudar a paleta, acentuar a curva de uma pétala, tornar uma forma mais harmoniosa — não para corrigir a natureza, mas porque procuro a sua imagem ideal.

Não é uma cópia de uma flor. É uma tentativa de guardar a sua beleza tal como o coração a recorda.

Uma vez levei um ramo a uma cliente para vermos juntas a composição e falar dos últimos detalhes. Eu olhava-o com olhos de artista, pensando no que ainda se podia mudar ou melhorar. Ela, ao meu lado, olhava-o de forma bem diferente — com admiração.

É incrivelmente bonito. Isto é arte verdadeira. Por favor, continue. Por favor, não desista.

Recordo muitas vezes essas palavras. Às vezes mergulhamos tanto na criação que deixamos de notar a emoção que as pessoas sentem perante a beleza. É talvez para esse instante — quando alguém se detém, olha mais de perto e começa a ver a beleza à sua volta — que crio as minhas flores.

A artista e o ateliê

Sobre mim — Eternal Bloom